Feira de rua no Septmazo, centro de Bogotá


Bomba e revolução é o projeto que desenvolvemos durante o mês de novembro de 2015 na cidade de Bogotá. A proposta inicial era produzir uma publicação e um vídeo a partir da pesquisa sobre a relação entre os espaços públicos e a soberania alimentar na cidade.

Na Universidad Nacional de Colombia nos envolvemos com a problemática da destruição por ordem administrativa das hortas e jardins cultivados no campus pelos estudantes. Os projetos eram iniciativas de estudantes de diferentes cursos e, algum deles eram financiados pela própria universidade. O fato nos lembrou a reação da direção do campus Itacorubi da Udesc em Florianópolis ante ao jardim Passaic que lá cultivamos.

Tanto em Bogotá como em Florianópolis se repetem atos praticados por funcionários da instituição que passamos a abarcar pela noção de "vandalismo institucional", a legitimação de ações por instâncias oficiais independente de sua arbitrariedade e violência. A imagem, narrada por uma estudante, de um trator passando sobre um jardim é muito simbólica.

Como resposta a esse contextos propomos a oficina Bomba e revolução, que começou com um "Paseo de olla" na localidade de La Virgen, interior do departamento de Cundinamarca, que resultou em um documentário em vídeo. O passeio tinha como objetivo vivenciar uma tradição colombiana e iniciar uma conversa com os participantes.

De volta à universidade, realizamos um percurso pelas hortas e pela área de entulho e lixo do campus, onde fizemos uma leitura do texto “Un recorrido por los monumentos de Passaic, Nueva Jersey”, do artista Robert Smithson.

Nas áreas onde ficavam as hortas destruídas realizamos intervenções com estacas de madeira, fita sinalizadora e a placa "Investigación de la Universidad". Na terra protegida fizemos a revolução da palha, técnica permacultural de enriquecimento do solo, e semeamos com bombas de sementes. Esses dois procedimentos foram o tema central da publicação que concebemos.

Pesquisamos também a movimentação das feiras de rua na cidade. Logo percebemos no campus da Universidad Nacional a presençade vários ambulantes que formavam um mercado informal de diversos produtos, especialmente de alimentos, respondendo à ausência de um restaurante universitário.

Na Carrera Séptima sentimos um modo particular de praticar a cidade, que se materializa na forma como cada un faz da rua um espaço de guerreo, palavra que expressa a luta diária pela sobrevivência criativa na cidade. Também nos juntamos aos artistas de rua e participamos do "septimazo" - feira de rua tradicional da  Carrera Séptima  no centro de Bogotá - para apresentar nossa produção gráfica e para conhecer pessoas.

A publicação que resultou desse processo foi lançada na Semana de la Agroecología com uma oficina de produção de bombas de sementes no Jardim Central da Universidad Nacional e com o bombardeio de sementes pelo campus.