Sarau da Rita
2015




Proposto pelo Observatório-móvel como atividade do curso "Interfaces Gráficas", ministrado por Nara Milioli na faculdade de Artes Visuais da UDESC, no primeiro semestre de 2015. A ideia inicial era pensar os meios de transporte coletivos e os pontos de ônibus e terminais como possibilidade para práticas artísticas.

O evento ocorreu na área de embarque do Terminal Rodoviário Rita Maria, em Florianópolis, onde centenas de pessoas transitam todos os dias. Além dos funcionários das empresas de viagem, das lanchonetes e restaurantes e das lojas que funcionam no local, muitos viajantes costumam lá esperar por algum tempo pelos seus ônibus. A área de embarque oferece um espaço pronto, propício para esse tipo de evento: várias cadeiras para quem espera, microfone e caixas de som para anunciar os ônibus que chegam, um pé direito alto que favorece a acústica e a dissipação do som.

No Sarau da Rita teve apresentação do Grupo Vocal Floripa En'canta, coral que ensaia no Espaço Cultural Rita Maria, localizado no segundo andar da rodoviária; recital de poesia; "poemas avulsos", de Tina Merz; "como pular amarelinha", de Waleska Ruschel e Débora Moecke; "Retrato falado de Rita Maria", por Monique Souza; distribuição do zine Rita Maria Viaja Sozinha, resultante da oficina ministrada por Letícia Cobra Lima, da publicação Exercício para Liberdade, de Brígida Campbell e de outros impressos.

Em outras áreas da rodoviária: "conversas", com Fran Favero no Espaço Cultural Rita Maria; "banho", de Juliano Ventura, em um dos banheiros; na escadaria, "agraciações", de Pama Krowczuk, e "para onde vai", de Manuela Siebert.

Os registros audiovisuais do Sarau ficaram por conta de Isabel Napoli, Tina Merz e Cauan Chaves.







Mas quem foi Rita Maria?

A região do centro onde desde 1981 situa-se o terminal rodoviário municipal anteriormente era conhecida como Praia do Rita Maria, praia com grande parte soterrada na década de 1970 pela construção de aterro. Existem outras denominações, tais como Praia do Estaleiro Arataca, Praia do Riachuelo, Praia do Cais do Porto e Praia do "Vai-Quem-Quer". Segundo a "Planta de Vila Capital de Santa Catarina", datada de 1774, o monte que essa praia banha - hoje ocupado pelo Parque da Luz - tinha o nome de "Monte do Rita Maria", em referência a um provável proprietário de nome João do Rita Maria.

Contudo, a versão mais popular é outra, que atribui a origem do nome à uma mulher, a Rita Maria. Há relatos de que ela morou na região e se dedicava a ajudar os pobres, aos quais distribuía comida e remédios. Além de oferecer abrigo para os viajantes que chegavam na cidade. Dizem também que se tratava de uma cafetina que atendia as tripulações dos navios de passagem pelo porto de Florianópolis.

Atualmente, não é comum se referir à região pelo nome Rita Maria, sendo esse conhecido como nome do terminal rodoviário, cujo pátio abriga uma escultura em homenagem à mulher que vivia pelas redondezas. Embora o artista Paulo Siqueira em sua escultura realizada com sucata tenha respeitado a versão popular, da mulher negra que era curandeira, com vasto conhecimento de ervas medicinais e benzeduras, não encontramos registros oficiais da existência dela. Existência por alguns considerada mera crendice popular.

O Sarau da Rita se propôs também a homenagear essa mulher e afirmar a sua existência, consciente dos processos discriminatórios de escrita da História, que usualmente invisibilizam as pessoas negras e desconsideram saberes como a benzedura.



Referências:
GUIA FLORIPA (Florianópolis). Terminal Rodoviário Rita Maria. Disponível em: <http://www.guiafloripa.com.br/turismo/informacoes-gerais-sobre-turismo/terminal-rodoviario-rita-maria>. Acesso em: 11 abr. 2019.

PEREIRA, Nereu do Vale. Descortinando as 100 belas praias de Florianópolis: em seu continente, suas ilhas, suas lagoas. Florianópolis: Editora Insular, 2004.