Quadro negro da Escola de Muquém, 2015, adesivo, 27x12cm




Em dezembro de 2014 descobrimos a existência de uma escola abandonada no bairro do Rio Vermelho. A arquitetura do prédio chamava atenção por suas características peculiares: a fachada seguia o padrão arquitetônico de outras construções do bairro, com uma pequena quadra esportiva na entrada e uma estrutura em bom estado, ainda que depredada e cheia de entulho. Nos fundos havia um parque infantil e todo o espaço estava dominado por plantas diversas.




Começamos a frequentar o lugar, passando algumas tardes de verão limpando, analisando os espaços que poderiam ser úteis para a realização de atividades e conversando com moradores do entorno para descobrir a sua história. Nessas visitas, observava-se a presença de pessoas que também frequentavam a área da escola para colher frutos e brincar.




No fim de janeiro, convidamos a vizinhança para assistir ao filme Girimunho de Helvécio Marins Junior e Clarissa Campolina. A ideia era criar um projeto de cinema na escola, o Cine-Muquém, e também reunir interessados para conversarmos sobre o uso do espaço. No mesmo dia marcado para a sessão, a escola foi ocupada por uma família para fins de moradia. Essa situação gerou conflitos e o que restava da escola foi demolido pela Prefeitura Municipal.




Sem paredes, o terreno reencontrou sua  vocação para propiciar condições de aprendizagem em meio às plantas, aos pássaros e aos insetos. Assim, nosso desejo que antes era de utilizar o espaço para propor oficinas nas salas de aula então abandonadas, agora passou a ser acompanhar a vegetação que cresce.

Nossa escola é o mato!






Pedido de esclarecimentos sobre demolição da Escola de Muquém, 2015, lambe, 21x29,7cm