Breve aqui praça pública
2016 e 2018


Terreno na rodovia João Gualberto Soares, bairro Ingleses, Florianópolis, agosto de 2016.



Faixa instalada em um terreno baldio no bairro Ingleses com a intenção de lançar um boato sobre a construção de uma praça e, desta forma, chamar a atenção para a ausência de espaços de convívio no bairro. O registro fotográfico da faixa foi enviado à imprensa local juntamente com uma carta assinada por um suposto morador.









Área em recuperação ambiental do bairro Itacorubi, Florianópolis, junho de 2018.


Faixa instalada em um terreno público do bairro Itacorubi usado como atalho entre a rodovia Amaro Antônio Vieira e a rua do Quilombo. Por ali passa um curso d'água que mais à frente encontra o rio Itacorubi. Há uma placa que anuncia que a área está em processo de "recuperação ambiental". Veja a nota publicada no Jornal do Itacorubi em dezembro de 2018.






Breve aqui praça pública: Paseo de olla no MASC
2018



Centro Integrado de Cultura, Florianópolis, abril-julho de 2018



A convite do MASC, por ocasião da exposição "Desterro Desaterro – arte contemporânea em Santa Catarina", o Observatório-móvel propôs a ocupação "Breve aqui praça pública", que consistiu na instalação de duas faixas idênticas. Uma, no pátio do Centro Integrado de Cultura e outra, no lado de dentro, no espaço expositivo do MASC.

Na intenção de aproximar o uso do museu ao de uma praça, propusemos o preparo de uma sopa, cuja receita aprendemos em uma residência artística em Bogotá, na Colômbia. Lá é comum sair passear com amigos, panela e legumes para cozinhar em algum lugar público agradável.

No espaço expositivo do MASC, além da faixa, instalamos uma bancada com um aparelho televisor e alguns convites para o Paseo de Olla, a ser realizado no dia 10 de maio, algumas semanas após a abertura da exposição.  Até esse dia a TV permaneceu desligada, quando então exibimos o vídeo que resultou da nossa vivência do paseo de olla na Colômbia.




Além dos convites dispostos na bancada dentro do museu para os seus frequentadores, alguns exemplares foram entregues em mãos para a vizinhança do MASC.




No dia marcado, instalamos no espaço expositivo o fogão, algumas cadeiras e outros utensílios necessários, e usamos a bancada como suporte para o preparo da sopa.

Algumas pessoas que visitavam a exposição nos ajudaram com o preparo do sancocho, servido ali mesmo. A receita colombiana foi muito apreciada. Pena que os convidados da vizinhança não compareceram.




Perante essa situação, retornamos no dia seguinte aos locais onde deixamos o convite para levar uma porção de sancocho, e saber por que não compareceram. Entre os motivos apresentados, a falta de tempo, o compromisso com o trabalho e o cansaço foram ressaltados:

Dayne e Marileide - as duas trabalham em uma padaria, bem próxima ao Masc. Dayne é natural de Belo Horizonte e Marileide veio da Bahia, ela é quem faz os doces, vivem em Florianópolis a aproximadamente três anos. Elas não foram ao museu porque saíram tarde do trabalho.

Fernanda - Todas as tardes trabalha em um bar que é do seu irmão, fica em frente à padaria. Ela não foi porque esqueceu. Trabalhou até o horário previsto, 20 horas e foi ao supermercado e depois seguiu para a sua casa para estudar. Ela faz faculdade de Pedagogia. É professora efetiva da 1º série em uma escola da prefeitura de Florianópolis. Adora futebol, disse que o Brasil perdeu um excelente lateral direito, referindo-se à contusão que tirou Daniel Alves da seleção. Comentou isso a partir de uma reportagem que a TV estava apresentando naquele momento. Fernanda trabalhou no MASC por 6 anos, porém desde que saiu, isso já tem quase 5 anos, nunca mais voltou lá no museu.

André - produz marmitas e comercializa congeladas. Não foi ao evento pelo fato de ter trabalhado até mais tarde. Comentou que acorda cedo todos os dias e que nunca tem horário para dormir. Divide seus dias entre o trabalho e a universidade onde estuda administração. Sugeriu que da próxima vez fizessemos o evento em uma sexta-feira ou sábado, justificou dizendo que a semana é sempre muito corrido. Comentou que não gosta muito de ir ao museu ver exposições.

Regina - Proprietária de uma loja de roupas femininas não foi porque teve que cuidar de sua nora e de seu netinho, nascido há 8 dias. Ficou muito agradecida com a sopa, logo abriu o pote e disse que o cheiro estava muito bom, disse também que ia chegar em casa e comer com pedaços de pãezinhos. Comentou também que nas quintas ela sempre vai ao culto para orar e pedir a benção às famílias e seus lares e que, justamente na quinta do evento ela poderia ir pois não haveria culto, porém teve que ir para a casa da sua nora, pois a pessoa que ia teve um imprevisto e não foi. Perguntei a ela e seu marido, que se encontrava no caixa e foi se interessando pela conversa se eles conheciam o CIC, seu marido disse que foi uma vez para um leilão de carros da receita Federal. Regina disse que nunca entrou, comentou que sempre passa na frente, mas não conhece. Falei que nas dependências do CIC acontecem diversas atividades e que lá funciona um cinema com entrada grátis, um museu e um teatro, além de oficinas de artes e uma escolinha de arte para crianças e jovens. Eles ficaram muito interessados, disseram que tem um filho de 10 anos que passa um período na escola e outro em casa concentrado em games no computador e que seria muito interessante ele poder frequentar uma escola de arte.

Simone - Trabalha como frentista em um posto de combustível. Não foi porque o marido chegou muito tarde para buscá-la. É natural de Manaus, veio viver em Florianópolis com o intuito de melhorar de vida. Há 3 anos vive aqui. Seus dois outros colegas também não foram porque estavam cansados. Os dois são do Pará e como Simone vieram para o sul para trabalhar.

Victor e Isabele - Não foram porque tiveram que ficar até mais tarde na loja de artigos de festas com uma cliente que levou muito tempo para escolher os artigos da festa que estava organizando.

Dona Eva - Não foi porque ficou trabalhando até tarde e quando chegou em casa teve que cuidar do seu neto. Foi muito gentil, nos ofereceu café com bolo.




A respeito da faixa instalada no pátio do CIC, a nota acima foi publicada na coluna de Cacau Menezes no Jornal Diário Catarinense do dia 11/05/2018. A faixa em questão podia ser avistada por qualquer um que passasse, mesmo de carro ou de ônibus, pelo local.